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19 de fevereiro de 2010

[Tradução] Reportagem da revista Autosport

Os finlandeses só têm a melhorar

Kimi Räikkönen adorou cada momento de sua estreia no WRC na Suécia - mesmo que ele tenha terminado na 29º colocação.
Por David Evans

São apenas cinco horas da tarde de sábado em Hagfors, centro da Suécia. O sol, com tudo o que vale em termos de temperatura, está começando a se esconder atrás das árvores. Faz menos 18 e a temperatura está caindo. Ainda falta uma hora para que o Campeão Mundial de F1 de 2007 chegue e os fãs já estão começando a chegar. Sessenta minutos de batidas de pés e chega Kimi Räikkönen. E vai. A interação com seu público foi limitada. Eles não se importam. Eles o viram. Agora eles precisam voltar a sentir seus pés novamente.

O nível de interesse no primeiro round de Räikkönen no WRC tem sido assombroso. Mas está ficando besta. O estacionamento de serviços da rodada de abertura do WRC na semana passada fica numa pista. Pistas não são geralmente locais de abrigo e esta, no centro da Suécia, é no meio de um de seus invernos mais frios. Mesmo assim, as pessoas vêm, elas ficam paradas ali e gritam. Mais de 300 ficaram gritando "Raaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiikkkkkkkooooooooonen, Kimi Räikkönen!" pelo que pareceram horas.

O barulho fica ainda maior quando ele emerge do motorhome para retornar ao C4. Ele dá a partida no carro, mas a nota do motor é inaudível para aqueles que estão além de meio metro de distância. Puxando seus fones de ouvido por cima de seu chapéu de pelos, ele pausa, sorri e acena. O lugar entra em erupção. Momentaneamente, o frio brutal é esquecido.

O frio não está perdido em Räikkönen. Como poderia estar quando ele passou uma boa meia hora escavando seu Citroën para fora da neve no estágio Viggen 2? Mas ele adora. Ele não enjoa. Ele sonhou com o Campeonato Mundial de Rali desde que era um menino. E agora ele está vivendo seu sonho. E, para um homem com uma experiência limitada do lado mais lamacento do automobilismo, ele está indo excepcionalmente bem. Exceto por aquele probleminha com o banco de neve.

Seu engenheiro, Cedriq Mazenq, já passou da fase 'É Kimi Räikkönen!" Mazenq tem um trabalho a fazer. Este pode ser o sonho de Räikkönen, mas também é sua realidade. E, se tudo correr bem, pode ser seu futuro. É aí que entra o engenheiro: ele precisa ajudar a tornar isso possível.

Duro com o macio

Mazenq já descobriu como a equipe pode ajudar Räikkönen. De forma previsível para um piloto de corrida, as entradas nas curvas do finlandês de 30 anos devem ser mais macias em vez de perturbar o equilíbrio do carro e lançá-lo numa escorregada. Mas aqui na Suécia, é isto que é necessário.

"O estilo de pilotagem de Kimi é um pouco diferente dos outros pilotos de rali no momento," diz Mazenq, "particularmente na forma que ele entra na curva. Kimi entra mais gentilmente; ele é mais macio com a direção. Seb [Loeb] entra o carro na curva de forma mais violenta. É melhor ser mais agressivo na entrada da curva, porque dá menos understeer [definição em português aqui] na traseira do que na dianteira do carro e então é só manter as rodas dianteiras numa linha reta para fazer a melhor tração possível."

O próprio Räikkönen não hesita e é franco em sua autoavaliação de seus esforços. "Oitenta por cento deve vir de mim, só 20 do carro," ele diz. "Não estou modificando muito o carro no momento, não tem por quê. Estou ouvindo o engenheiro - ele conhece o carro e eu vou fazer o que ele me disser."

Este é apenas o sexto rali da vida de Räikkönen - e ele já foi um visitante regular dentro dos tempos dos 10 melhores nos estágios, e fez o sexto mais rápido em um dos estágios suecos. E a boa notícia para ele é que as coisas não vão ficar piores do que isso.

Mazenq continua: "O rali de neve não é tão fácil. Aqui temos barrancos profundos e não há consistência. É difícil de ter feedback do carro porque a superfície muda tanto entre a primeira e a segunda passada pelos estágios."

Uma das principais áreas que Räikkönen está trabalhando no carro é na audição. Tendo passado toda sua vida esportiva num carro de um só banco, ouvir conselhos sobre paa qual lado ir é algo completamente novo. E não está sendo fácil para ele.

O preparador físico de Räikkönen, Mark Arnall, o conhece bem. "Num carro de F1, quando o engenheiro vinha no rádio para falar enquanto Kimi estava pilotando, a não ser que fosse informação vital, ele diria, 'Ei, pare de falar e me deixe pilotar.' Aqui o co-piloto está sempre falando. É uma grande adaptação para ele."

Felizmente, o cara por trás da conversa é Kaj Lindström, um dos melhores da Finlândia, que passou dois anos guiando o Deus do rali, Tommi Makinen, pelas florestas. Mas Lindström terá seu trabalho diminuído a fazer Räikkönen parar de divagar das notas e pilotar com sua visão, um problema totalmente comum para pilotos que chegam no rali. Alternativamente, pilotos de rali sofrem o efeito contrário; uma história famosa é a de Colin McRae, que ligou o rádio não muito depois de seu primeiro stint pilotando uma Ferrari 550 em Le Mans para perguntar se havia alguém na escuta.

Outro elemento do WRC que Räikkönen pode ser perdoado em levar um tempo para se ajustar é sua nova agenda. Os dias de tirar uma soneca entre o treino e a classificação ou entre o aquecimento e a corrida acabaram. Na Suécia, Räikkönen acordou muito antes do nascer do sol e não voltou à cama por 17 ou 18 horas.

"Kimi não é o melhor nas manhãs," diz Arnall. "Na F1, acordar não era algo que ele curtia particularmente. Agora ele acorda às 05:30, leva o carro até o parc fermé, até o serviço, até os estágios, de volta ao serviço por 30 minutos para comer e receber uma massagem, e depois volta por quatro ou cinco horas. Ele agora tem que se concentrar por períodos muito mais longos. Cada rali é como pilotar no GP de Mônaco: você fica muito perto das árvores o tempo todo. Em outros circuitos na F1, se você sai da pista, você pode sair bastante, voltar para a garagem, arrumar o carro, fazer um polimento e logo sair de novo. Aqui não."

Com o evento se aproximando do fim, estamos de volta ao estacionamento de serviços da Citroën. Lindström está olhando para a multidão que se espalha a apenas alguns passos. Räikkönen aparece e imediatamente os flashes disparam.

"Bem-vindo ao aquário do peixe dourado," diz Lindström com um sorriso.

Isto é o que acontece quando o mundo de Kimi colide com o Campeonato Mundial de Rali.



[Nota: Peço desculpas porque a tradução pode ter algumas falhas próximas ao assunto de 'understeer' graças à pessoa que escaneou ou cortou a página, ficaram faltando algumas linhas...]

Se alguém quiser utilizar a tradução, por favor, fique à vontade, só por favor não esqueçam de dar crédito pois dá trabalho...

Fonte: Autosport
Agradecimentos: YiNing @KRS Forum, Anelise
Tradução: Fran

21 de janeiro de 2010

Conversas sobre o retorno de Kimi dividem a opinião da mídia

Steve Robertson, responsável dos assuntos contratuais, confirmou ao Turun Sanomat que Kimi Räikkönen vai decidir entre junho e julho se quer retornar às pistas da F1 ou continuar no WRC em 2011.

"No momento, Kimi está completamente dedicado a aprender o que precisa para ser competitivo com um carro de WRC o mais rapidamente possível", afirma Robertson.

"Kimi também deixou claro que ele só gostaria de voltar à F1 se puder pilotar um carro vencedor para que possa lutar pelo campeonato. É por isso que ele tem que decidir no meio da temporada, quando abrirem as melhores vagas.

"Neste momento é impossível estimar em qual direção Kimi vai querer ir. É claro que no momento ele está investindo tudo em sua carreira no rali," enfatiza Robertson.

A Red Bull já paga o salário de Räikkönen, então logicamente Kimi estaria ligado à Red Bull. A Red Bull tem um contrato para 2011 somente para Sebastian Vettel. Tanto a McLaren como a Mercedes têm contratos maiores com seus pilotos.

A BBC vai sentir a falta de Räikkönen

Aproveitei os dias de mídia da Ferrari para perguntar à imprensa mundial se acham que Räikkönen vai retornar à F1 ou se vai fazer uma carreira mais longa no rali.

O comentarista da BBC Jonathan Legard acredita que as chances são 50-50.

"É claro que vai depender primeiramente de como Kimi vai ir no rali durante o início da temporada. Se ele começar a ir bem imediatamente, provavelmente nunca mais o veremos em um carro de F1."

Esta temporada será imensamente interessante para a BBC, pois a McLaren tem dois campeões mundiais britânicos, Lewis Hamilton e Jenson Button.

"Mas se Kimi estivesse na F1, haveriam cinco campeões mundiais na categoria. Isso não ocorre há anos. Kimi tem muitos fãs no Reino Unido então se ele tivesse ficado na F1 teria aumentado ainda mais o interesse pelo esporte quando pensamos na BBC," lembra Legard.

Carlos Miguel, da revista espanhola AS, acredita que é certo que Kimi vai retornar à F1 já no ano que vem.

"Kimi só quer vencer e quando ele perceber que não vai lutar por vitórias no WRC este ano, a F1 vai se tornar interessante novamente pela metade da temporada. Acho que a Red Bull seria uma equipe ideal para ele também.

"Pessoalmente, eu gostaria de ter visto Kimi como companheiro de equipe na Ferrari. Quando penso nos méritos de Kimi como piloto, vejo que ele é o tipo de piloto que a F1 precisa desesperadamente," continua Miguel.

O rali, mais relaxante, vai levar ele embora

O repórter brasileiro veterano Livio Oricchio vai na direção oposta, tirando Räikkönen da história da F1 para sempre.

"A carreira de Kimi na F1 acabou, definitivamente. Tive uma chance de ver de onde ele veio na Finlândia e eu entendo seu meio cultural muito melhor desde então. As promoções obrigatórias da F1 eram uma agonia tão grande para Kimi que tenho certeza que ele não quer voltar a fazer isso.

"Acredito que Kimi vai se sentir em casa no mundo do rali. Além disso, o rali oferece a ele um desafio que a F1 não pode mais oferecer a ele já que nenhum piloto venceu o título de pilotos na F1 e no WRC," diz Oricchio.

Andrzej Borowczyk, repórter de TV da Polônia e que conhece de perto várias estrelas de rali finlandesas, acredita que Räikkönen vai gostar muito mais do rali.

"É muito mais relaxante lá e Kimi vai ver mais seus amigos e compatriotas. É óbvio que Kimi está iniciando agora um período de três anos no WRC. Você não pode se tornar um vencedor em menos tempo do que isso. Acho que Kimi vai ficar lá e a F1 acabou para ele.

O salário também significa algo

Benny Casadei Lucchi, da revista italiana Il Giornale, diz que a decisão de Räikkönen vai depender de questões financeiras.

"É óbvio que Kimi tem habilidades de pilotagem suficientes e motivação para retornar à F1. Mas quando o mercado financeiro inteiro da F1 está tremendo, cortes são feitos em todo lugar e os salários dos pilotos estão diminuindo, Kimi teria que aceitar uma renda muito menor.

"É impossível saber se ele quer retornar não importa qual a situação," diz o repórter italiano.

O repórter britânico Joe Saward está, como sempre, com seus próprios pensamentos.

"Kimi esteve na F1 por nove anos mas o homem ainda é um mistério total para mim. Foi uma surpresa que ele foi para o WRC mas é por isso que Kimi pode nos surpreender de novo e fazer o que for menos esperado dele - o que significa voltar para o grid com a Red Bull em 2011," diz Saward.

Fonte: Turun Sanomat
Tradução: Nicole (finlandês), Fran (inglês)

15 de janeiro de 2010

Profissionais do rali: Räikkönen será nocauteado na série WRC!

Se alguém pensou seriamente que Kimi Räikkönen vai pilotar pelo título do WRC com a máquina do WRC da Citroën em 2010, terá que acordar para a realidade em fevereiro no máximo, quando a temporada começa.

"Estimo que Kimi ficará entre 10 a 12 minutos atrás dos líderes na Jordânia," diz Latvala à revista Vauhdin Maailma.

De acordo com Latvala, Räikkönen vai perder para as estrelas principais por 10 minutos em quase todos os ralis.

Mikko Hirvonen é um pouco mais otimista que seu companheiro de equipe. Ele acha que Kimi vai perder entre 4 a 6 minutos mas pode lutar por um lugar no pódio em alguns ralis.

"Na Espanha, Kimi vai pilotar pelo pódio, ou pelo menos lutar por ele. A diferença para os líderes será de mais ou menos uns 2 ou 3 minutos," Hirvonen estima para o momento de brilho de Räikkönen.


Fonte: Vauhdin Maailma, via KR Forum
Tradução: Nicole (finlandês), Fran (inglês)

No lugar de Kimi


A decisão de Kimi Räikkönen de ir da F1 para o WRC foi uma pílula amarga a ser engolida pela nação mais rápida do mundo. Räikkönen é provavelmente o último piloto de bandeira branca e azul que venceu o campeonato de F1. Nos olhos dos finlandeses que apreciam humildade e modéstia, Räikkönen foi rotulado como um hedonista ambicioso.

Completamente sem base. As ações de Räikkönen são lógicas e é fácil de entender a sua posição.

Quando você tem nove duras temporadas, um título de pilotos em seu bolso e alguns vice campeonatos, é completamente natural que Räikkönen queira mudar de gênero. Em outro país ou em outra área da vida, um defeituoso como Räikkönen teris sido visto como um intelectual independente de mente aberta.

Na Finlândia, novamente, alguém que muda de gênero é um perdedor, não um gênio original.

Além disso, Räikkönen tem mais do que suficiente da humildade que os finlandeses querem. Ele sabe com certeza que a primeira temporada no WRC será provavelmente difícil. Se ele não for bem sucedido, haverá muitos invejosos rindo.

É claro que um salário gordo tornou a decisão de Räikkönen mais fácil. Você não pode culpá-lo por isso, pois poucos dizem não ao dinheiro.

Räikkönen justificou sua mudança de gênero com o ambiente mais relaxante do rali. Isto também é fácil de entender.

Räikkönen tem sido um pássaro fora do ninho no mundo hipócrita da F1. Ele não se encaixa na foto onde o esporte mais sem sentido do mundo tenta ser responsável e politicamente correto. Räikkönen teria se sentido em casa durante os anos em que Keke Rosberg esteve ativo. Naquele tempo, os cigarros estavam acesos e os copos brindando. Naquele tempo, a F1 era sobre corridas honestas sem a política suja e a maximização financeira da vitória.

Então era sensato que Räikkönen partisse, mas porque Heikki Kovalainen, que foi descartado por uma equipe de ponta, quer continuar na F1 não importando o custo?

A resposta é simples: a maioria das pessoas prefere participar na liga nacional mesmo que as classes menores ofereçam ouro e glória.

Fonte: Helsingin Sanomat
Tradução: Nicole (finlandês), Fran (inglês)

17 de dezembro de 2009

Reportagem da Autosprint - Continuação...

O que pensam os pilotos sobre a ida de Kimi para o rali?

Ogier, o companheiro de equipe

Revelação da temporada 2008, quando venceu o JWRC (Mundial de Rali Junior) em sua estreia e impressionou em Gales com o WRC. Dentre os melhores iniciantes neste ano, em seu primeiro emprego integral com um carro de WRC, o outro Sebastien - Ogier - é o futuro companheiro de equipe de Räikkönen. Empolgado?
"A chegada de Kimi entre nós é uma grande coisa, bom para o rali," diz Ogier. "E vocês vão ver que ele vai ir bem rapidamente, ele aprende em pouco tempo. Ele não venceu um campeonato mundial de F1 por acaso. Certamente, ele não está acostumado com anotações, e isto vai ser um problema para ele, se não "o" problema. No início, vi ele com alguma dificuldade, mas ele melhorou rapidamente." Você vai ajudá-lo? "Com as anotações será difícil, não há muito que posso fazer. Mas com o ajuste do carro, não haverá problemas: a equipe Citroën tem todas as habilidades para fazer qualquer tipo de trabalho e dar a ele qualquer sugestão. Contudo, eu ficarei próximo a ele. Também porque é uma honra ter um Campeão Mundial de F1 na equipe. Muito provavelmente eu vou estar no Rali Ártico no final de janeiro para treinar para o Rali da Suécia, que vai abrir o Campeonato Mundial." E para ser uma ama-seca para o principiante - no WRC - Kimi Räikkönen...

Tommi Mäkinen

"Francamente, eu estou surpreso, achei que ele ia continuar na F1! Mas ele queria vir para o rali, é seu desejo há muito tempo, e no final ele veio. Eu não entendi a que nível ele quer chegar, seu contrato é por um ano e eu não sei se isso é suficiente para alcançar o topo. Os ralis são algo completamente diferente do que ele fez até agora. Será interessante ver o que ele pode fazer: Kimi é muito bom, mas ele não conhece os Estágios Especiais. Ele precisaria ter mais experiência com seu navegador, deveria treinar duro para ter as anotações certas para atingir o máximo que puder. Claro, Lindstrom é o cara certo, mas não será fácil de qualquer maneira. Os ralis de hoje em dia são muito mais curtos e apertados, com distâncias muito próximas. Contudo, não vejo como Kimi não teria sucesso mesmo no rali, se ele pode bater Hamilton na F1... Estarei em Rovaniemi para sua estreia com o C4, mas depois não vou segui-lo nas corridas, estarei ocupado com minha equipe."

Marcus Gronholm

"Grande nome, Kimi. Bom para o rali. Ele é talento puro. Claro, não será fácil. Ele não pode aprender os Estágios Especiais em um momento. Eu ainda acredito que ele tem as cartas certas para aparecer bem e acho que ele vai fazê-lo, especialmente no asfalto. Eu sei que ele é um cara quieto, mas acho que ele vai mudar. Falei com ele e ele disse que está feliz, que isto é uma coisa que ele queria fazer. Parece um salto no escuro, mas de qualquer modo a Red Bull está tanto no rali como na F1..."

Mikko Hirvonen

"Dou as boas-vindas para ele, estou feliz que ele veio para o rali. É uma grande coisa para a categoria, toda a mídia virá e não somente a mídia especializada. Na Finlândia, há muito interesse, jornais e redes de televisão falam sobre Kimi todos os dias. Eu não sei se no primeiro ano ele vai conseguir ir bem como nós, é muito diferente da F1. Mas ele é focado, e isto certamente vai ajudá-lo. Acho que ele irá melhor no asfalto do que na terra, pois ele tem mais experiência, mas acho que ele quer ser rápido em todo lugar! Claro, é meio que um salto no escuro, mas se é o que ele queria, ele está certo em fazê-lo..."

Fonte: Autosprint
Tradução do italiano: TaniaS
Tradução do inglês: Fran
Agradecimentos: TaniaS e Anelise

Reportagem da Autosprint: Ele fez a coisa certa?



Ele fez a coisa certa?

A pergunta está nos lábios de todos: ele fez a coisa certa? Kimi Räikkönen deixou a F1 por tédio, náusea, saturação, falta de resultados? Não. Pelo menos não somente. "Por dois anos ele tem falado sobre ir para o rali," diz Stefano Domenicalli, o homem que herdou de Jean Todt o timão da Ferrari e que acabou com a 'batata quente' Kimi em suas mãos. Um piloto que não tinha mais o desejo, apesar de ter finalmente conquistado o título de pilotos em 2007. "Desde então ele me falou sobre o rali e como ele queria participar," explica Domenicalli, agora que Räikkönen é um ex-piloto da Ferrari, apesar de ainda ser um assalariado da Ferrari em 2010...
Ele fez certo? "É difícil dizer," dizem os ingleses. Mas a pessoa que tem as ideias mais claras é Gabriele Favero. A alma do Clube Motor Sernaglia, amigo italiano de todos os pilotos de rali finlandeses, não tem dúvida: "Com nossa amizade em comum com Tommi Makinen nós conseguimos fazê-lo vir correr em Treviso, no último maio, e todos sabemos como foi. Mas não é o resultado que conta. O que contou foi ter morado lado a lado com Kimi por uma semana. Nós jogamos golfe juntos, eu presenciei um desafio de corrida de brincadeira entre ele e Makinen pessoalmente, como se fossem duas crianças. Quando ele está assim, Kimi é a pessoa mais fácil do mundo. Depois de ter se retirado do Rally de Marca, ele disse 'Sinto muito por você.' Uma pessoa adorável. Então, quando os jornalistas chegaram, as autoridades, o público, ele se fecha como um porco-espinho, ele se torna outra pessoa: hostil, indiferente, até mesmo desagradável." A pergunta retorna: porquê? "Olhem por um momento o que Kimi já fez e o que ele é hoje," continua Favero. "Como todos os finlandeses, Häkkinen, Kovalainen, Rosberg e Lehto por exemplo, Kimi tem dentro de si o rali, a pilotagem no gelo, terra, estradas abertas. Um estilo de pilotagem de improvisação. E então, hoje quem é Kimi? É um piloto que já ganhou tudo e ganhou muito dinheiro: o suficiente para muitos filhos e netos. Dada sua situação, ele deve ter decidido trocar algo pelo qual ele não tinha mais sentimentos por algo que ele finalmente deseja realizar em um nível alto. E olhando assim, a escolha parece menos difícil do que parece de fora."

Lindstrom fala por Kimi

Após o anúncio oficial da Citroën, Räikkönen ainda permaneceu nas sombras. Felizmente Kaj Lindstrom, o antigo navegador de Tommi Makinen e agora o segundo piloto de Kimi, fala em seu lugar. Os dois farão, talvez nesta semana, um teste perto de Jyväskylä - na mesma pista em que eles pilotaram o Grande Punto - para se preparar par o Rali Ártico que está marcado para 29 de janeiro e que será sua estreia competitiva no C4 WRC. O jogo começa a ficar sério... "O Ártico é uma boa oportunidade para nós," diz Lindstrom, "Kimi tem um talento nato para o rally. Ele sente imediatamente as reações do carro, e isto é parte de sua bagagem. Além disso, ele é um profissional de alto nível. Eu fiquei surpreso em ver como ele foi imediatamente rápido e forte no Rali Ártico e no Rali da Finlândia. Eu gostei muito das trajetórias, sempre perfeitas. Ou quase: paramos porque fizemos uma curva abertos demais!" Qual foi o principal problema de Kimi até agora? "Fazer as anotações corretas e, acima de tudo, escutar, pilotar como eu digo para ele. Mas isto é normal, é a coisa mais difícil para todos, até mesmo para pilotos de rali." Sobre as anotações: que sistema Kimi usa? Como Makinen, campeão por quatro vezes, com quem você correu? "Não. Tommi usava o sistema 'descritivo', com o mais e o menos indicando o raio das curvas. Kimi, por outro lado, usa o sistema mais atual, utilizando números de 1 a 6 para indicar da curva mais lenta para a mais rápida."
A aventura começa, então. De um Campeão Mundial da Ferrari para um piloto inexperiente de rali, contra um certo Mr. Loeb, não será uma coisa fácil. Mas o Iceman não tem medo... e os outros, os pilotos reais de rali, o que pensam?

(continua...)

Fonte: Autosprint
Tradução do italiano: TaniaS
Tradução do inglês: Fran
Agradecimentos: TaniaS e Anelise