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17 de julho de 2010

Räikkönen, gênio e descuidado

Scan da Revista Autosprint

Kimi Räikkönen foi o observado especial do Rali da Bulgária. O finlandês tem uma sensação especial com o asfalto, seu chão natural, a superfície na qual ele cresceu, e na qual ele se mostrou imediatamente confortável, mesmo no rali, conquistando um ótimo segundo lugar no Rali da Lanterna, há um mês, após ter lutado com Ogier.

E Kimi na Bulgária não desapontou nada: ele começou a corrida com uma performance tão bela que deveria ser um retrato, ele era até mesmo o quarto no geral após o SS3, à frente dos dois pilotos oficiais da Ford, Hirvonen e Latvala!

Mas então o finlandês saiu da pista, no SS4, colocando sua corrida em perigo. Naquele estágio, na segunda passada em Belmeken, o ex-piloto da Ferrari estava competindo com Loeb e Sordo até o terceiro split, e no penúltimo ele era o quinto, somente 5.8s do selvagem francês. Uma curva à esquerda foi fatal para ele, a 8km do final.

"Eu cheguei rápido demais naquela curva - Räikkönen admitiu - e por este motivo eu saí. Estou aqui para aprender, e cometendo erros você aprende. Eu estava fazendo voltas boas, estava indo muito rápido, é realmente uma pena, mas infelizmente estas coisas acontecem quando você está acelerando forte."

Então, a equipe Citroën Junior fez um milagre, reconstruindo o C4 número 8 e dando a Räikkönen a oportunidade de estar na largada do segundo dia graças à regra do Super Rali.

"O mais difícil esta manhã era encontrar a motivação certa para Kimi ser rápido novamente, após os dez minutos perdidos ontem," explicou seu co-piloto Kaj Lindström.

Temos que admitir que o ex-co-piloto de Makinen fez um ótimo trabalho ao motivar Räikkönen, que se reergueu da 26ª à 14ª posição. Marcando o quinto melhor tempo na primeira passada do estágio Sestrimo e o sexto melhor no Lyubnitsa.

"Foi um dia útil para ganhar experiência no asfalto - disse Kimi, lacônico como sempre - e estamos ganhando posições, veremos onde poderemos chegar no final da corrida."

Räikkönen não disse, mas ele queria a décima posição: ele poderia alcançar Henning Solberg. Então, após ter problemas com a barra estabilizadora dianteira, no fim, Kimi teve que se contentar com a 11ª colocação.

Agora Räikkönen está pronto para correr em sua casa, na Finlândia. "Uma corrida que ele já conhece - lembra Lindström - então deve nos ajudar, mesmo que no ano passado tenhamos corrido com um Super2000, um carro completamente diferente do C4 WRC."


Fonte: AutoSprint
Agradecimento: TaniaS
Tradução: Fran

22 de junho de 2010

AutoSprint: dentro do mundo de Kimi

Entrevista exclusiva
Räikkönen sem segredos






Garotas empolgadas. Crianças barulhentas. E acima de tudo, desconfiança de homens de cinquenta anos. Todos eles estariam prontos para dar alguns empurrões ou cotoveladas ou em pisar nos dedos das pessoas ao seu lado se pudessem ao menos conseguir um autógrafo, ou mesmo tirar uma foto com ele. Ele mesmo, que tem medo da multidão. A vida é estranha. Kimi Räikkönen se retrai, se encolhe, se esconde quando está rodeado por uma massa humana que o persegue. É o preço que se paga pela notoriedade, pelo título vencido com a Ferrari e por ter dito não, um dia, aos GPs, para mudar para os menos famosos ralis. O único jeito de sobreviver nesta situação é se enclausurar nele mesmo, em seu próprio mundo. O mundo de Kimi.

Longe da multidão maluca

Mas não é tão impossível falar com ele. Você só precisa esperar pelo momento certo e estar nas condições que ele prefere. Quase como o animal selvagem que deixa você chegar perto quando você menos espera e apenas por alguns momentos. Então, Kimi sai da toca e vem brincar. Ele fala. Um longo tempo.

"A F1? Assisto na TV e não sinto falta. Bem, de pilotar, sim, é claro. Mas não de todo o resto. Não, obrigado. Penso nos ralis há anos. Sempre quis competir neles, num nível alto se possível. Eu não podia esperar mais, senão seria muito tarde. No final de 2009, as coisas com a Ferrari acabaram e não haviam condições de retornar à McLaren ou de ir a outra equipe de ponta. O momento de fazer o que eu sempre havia sonhado tinha chegado."

Então, adeus à F1, sem arrependimentos. Após nove temporadas, um título e 18 vitórias. Quem vai vencer o Campeonato neste ano?
"Um dos pilotos da Red Bull. Ou Hamilton."

E Schumacher, o que você acha?
"Foi sua própria escolha." (Ele diz enquanto sacode os ombros, deixando bem claro que Räikkönen não concorda...)

E Kimi? Ele vai voltar à F1?
"Vou tomar minha decisão com calma, em paz, sem pressões externas. Meu contrato no rali é só para 2010, mas não estou com pressa para decidir. Sem pressão."

Como você se sente seis meses após seu grande salto?
"Estou aprendendo. Cada vez é sempre nova para mim. O rali da Lanterna foi o décimo primeiro rali de minha nova vida, o primeiro no asfalto com um carro WRC. Eu aprendo a cada corrida, melhoro mais e mais, tentando entender cada segredo, cada detalhe."

Ele não diz, mas você tem que considerar que Räikkönen sempre tem que lutar contra competidores que conhecem os estágios de cor, e que ele, pelo contrário, os vê pela primeira vez. Então, tanto no Campeonato como no Lanterna, ele tem tido que lutar numa superfície quase desconhecida para ele - a nível de rali obviamente - contra pessoas que podem passar por estes estágios com olhos fechados. Alguns até mesmo moram lá, onde foi o rali, mas Kimi não fez feio, não mesmo. E isto considerando que na largada os estágios eram um pouco secos e um pouco úmidos, coisa que não é uma vantagem para um novato.

Mas você está satisfeito com o nível que você alcançou até agora? Você esperava mais ou esperava menos?
"Não, não estou satisfeito. Bem, não completamente. Na Turquia eu fui bem, pilotei como queria e o resultado final foi satisfatório. No México, se eu não houvesse saído, eu não estava indo mal. Mas em Portugal eu tive alguns problemas que eu não esperava. Podemos dizer que depende de cada rali. No Portugal, como na Jordânia, eu não gostei da minha pilotagem. No México e na Turquia, sim. A Suécia foi a primeira corrida, então..."

O que vem à sua cabeça quando você compara a F1 com o rali?
"Você não pode compará-los. A pilotagem é completamente diferente. O nível do rali é muito, muito alto. Se você colocar qualquer piloto de F1 numa corrida de WRC, ele vai se complicar. Exceto Kubica! Você pode aprender o circuito, mas no rali cada curva é diferente e é impossível lembrar de todas."

...

Fonte: AutoSprint
Agradecimento: TaniaS
Tradução: Fran

23 de dezembro de 2009

Kimi Räikkönen: O homem de gelo na AutoSprint Itália

O Homem de Gelo




Fonte: _TaniaS_

17 de dezembro de 2009

Reportagem da Autosprint - Continuação...

O que pensam os pilotos sobre a ida de Kimi para o rali?

Ogier, o companheiro de equipe

Revelação da temporada 2008, quando venceu o JWRC (Mundial de Rali Junior) em sua estreia e impressionou em Gales com o WRC. Dentre os melhores iniciantes neste ano, em seu primeiro emprego integral com um carro de WRC, o outro Sebastien - Ogier - é o futuro companheiro de equipe de Räikkönen. Empolgado?
"A chegada de Kimi entre nós é uma grande coisa, bom para o rali," diz Ogier. "E vocês vão ver que ele vai ir bem rapidamente, ele aprende em pouco tempo. Ele não venceu um campeonato mundial de F1 por acaso. Certamente, ele não está acostumado com anotações, e isto vai ser um problema para ele, se não "o" problema. No início, vi ele com alguma dificuldade, mas ele melhorou rapidamente." Você vai ajudá-lo? "Com as anotações será difícil, não há muito que posso fazer. Mas com o ajuste do carro, não haverá problemas: a equipe Citroën tem todas as habilidades para fazer qualquer tipo de trabalho e dar a ele qualquer sugestão. Contudo, eu ficarei próximo a ele. Também porque é uma honra ter um Campeão Mundial de F1 na equipe. Muito provavelmente eu vou estar no Rali Ártico no final de janeiro para treinar para o Rali da Suécia, que vai abrir o Campeonato Mundial." E para ser uma ama-seca para o principiante - no WRC - Kimi Räikkönen...

Tommi Mäkinen

"Francamente, eu estou surpreso, achei que ele ia continuar na F1! Mas ele queria vir para o rali, é seu desejo há muito tempo, e no final ele veio. Eu não entendi a que nível ele quer chegar, seu contrato é por um ano e eu não sei se isso é suficiente para alcançar o topo. Os ralis são algo completamente diferente do que ele fez até agora. Será interessante ver o que ele pode fazer: Kimi é muito bom, mas ele não conhece os Estágios Especiais. Ele precisaria ter mais experiência com seu navegador, deveria treinar duro para ter as anotações certas para atingir o máximo que puder. Claro, Lindstrom é o cara certo, mas não será fácil de qualquer maneira. Os ralis de hoje em dia são muito mais curtos e apertados, com distâncias muito próximas. Contudo, não vejo como Kimi não teria sucesso mesmo no rali, se ele pode bater Hamilton na F1... Estarei em Rovaniemi para sua estreia com o C4, mas depois não vou segui-lo nas corridas, estarei ocupado com minha equipe."

Marcus Gronholm

"Grande nome, Kimi. Bom para o rali. Ele é talento puro. Claro, não será fácil. Ele não pode aprender os Estágios Especiais em um momento. Eu ainda acredito que ele tem as cartas certas para aparecer bem e acho que ele vai fazê-lo, especialmente no asfalto. Eu sei que ele é um cara quieto, mas acho que ele vai mudar. Falei com ele e ele disse que está feliz, que isto é uma coisa que ele queria fazer. Parece um salto no escuro, mas de qualquer modo a Red Bull está tanto no rali como na F1..."

Mikko Hirvonen

"Dou as boas-vindas para ele, estou feliz que ele veio para o rali. É uma grande coisa para a categoria, toda a mídia virá e não somente a mídia especializada. Na Finlândia, há muito interesse, jornais e redes de televisão falam sobre Kimi todos os dias. Eu não sei se no primeiro ano ele vai conseguir ir bem como nós, é muito diferente da F1. Mas ele é focado, e isto certamente vai ajudá-lo. Acho que ele irá melhor no asfalto do que na terra, pois ele tem mais experiência, mas acho que ele quer ser rápido em todo lugar! Claro, é meio que um salto no escuro, mas se é o que ele queria, ele está certo em fazê-lo..."

Fonte: Autosprint
Tradução do italiano: TaniaS
Tradução do inglês: Fran
Agradecimentos: TaniaS e Anelise

Reportagem da Autosprint: Ele fez a coisa certa?



Ele fez a coisa certa?

A pergunta está nos lábios de todos: ele fez a coisa certa? Kimi Räikkönen deixou a F1 por tédio, náusea, saturação, falta de resultados? Não. Pelo menos não somente. "Por dois anos ele tem falado sobre ir para o rali," diz Stefano Domenicalli, o homem que herdou de Jean Todt o timão da Ferrari e que acabou com a 'batata quente' Kimi em suas mãos. Um piloto que não tinha mais o desejo, apesar de ter finalmente conquistado o título de pilotos em 2007. "Desde então ele me falou sobre o rali e como ele queria participar," explica Domenicalli, agora que Räikkönen é um ex-piloto da Ferrari, apesar de ainda ser um assalariado da Ferrari em 2010...
Ele fez certo? "É difícil dizer," dizem os ingleses. Mas a pessoa que tem as ideias mais claras é Gabriele Favero. A alma do Clube Motor Sernaglia, amigo italiano de todos os pilotos de rali finlandeses, não tem dúvida: "Com nossa amizade em comum com Tommi Makinen nós conseguimos fazê-lo vir correr em Treviso, no último maio, e todos sabemos como foi. Mas não é o resultado que conta. O que contou foi ter morado lado a lado com Kimi por uma semana. Nós jogamos golfe juntos, eu presenciei um desafio de corrida de brincadeira entre ele e Makinen pessoalmente, como se fossem duas crianças. Quando ele está assim, Kimi é a pessoa mais fácil do mundo. Depois de ter se retirado do Rally de Marca, ele disse 'Sinto muito por você.' Uma pessoa adorável. Então, quando os jornalistas chegaram, as autoridades, o público, ele se fecha como um porco-espinho, ele se torna outra pessoa: hostil, indiferente, até mesmo desagradável." A pergunta retorna: porquê? "Olhem por um momento o que Kimi já fez e o que ele é hoje," continua Favero. "Como todos os finlandeses, Häkkinen, Kovalainen, Rosberg e Lehto por exemplo, Kimi tem dentro de si o rali, a pilotagem no gelo, terra, estradas abertas. Um estilo de pilotagem de improvisação. E então, hoje quem é Kimi? É um piloto que já ganhou tudo e ganhou muito dinheiro: o suficiente para muitos filhos e netos. Dada sua situação, ele deve ter decidido trocar algo pelo qual ele não tinha mais sentimentos por algo que ele finalmente deseja realizar em um nível alto. E olhando assim, a escolha parece menos difícil do que parece de fora."

Lindstrom fala por Kimi

Após o anúncio oficial da Citroën, Räikkönen ainda permaneceu nas sombras. Felizmente Kaj Lindstrom, o antigo navegador de Tommi Makinen e agora o segundo piloto de Kimi, fala em seu lugar. Os dois farão, talvez nesta semana, um teste perto de Jyväskylä - na mesma pista em que eles pilotaram o Grande Punto - para se preparar par o Rali Ártico que está marcado para 29 de janeiro e que será sua estreia competitiva no C4 WRC. O jogo começa a ficar sério... "O Ártico é uma boa oportunidade para nós," diz Lindstrom, "Kimi tem um talento nato para o rally. Ele sente imediatamente as reações do carro, e isto é parte de sua bagagem. Além disso, ele é um profissional de alto nível. Eu fiquei surpreso em ver como ele foi imediatamente rápido e forte no Rali Ártico e no Rali da Finlândia. Eu gostei muito das trajetórias, sempre perfeitas. Ou quase: paramos porque fizemos uma curva abertos demais!" Qual foi o principal problema de Kimi até agora? "Fazer as anotações corretas e, acima de tudo, escutar, pilotar como eu digo para ele. Mas isto é normal, é a coisa mais difícil para todos, até mesmo para pilotos de rali." Sobre as anotações: que sistema Kimi usa? Como Makinen, campeão por quatro vezes, com quem você correu? "Não. Tommi usava o sistema 'descritivo', com o mais e o menos indicando o raio das curvas. Kimi, por outro lado, usa o sistema mais atual, utilizando números de 1 a 6 para indicar da curva mais lenta para a mais rápida."
A aventura começa, então. De um Campeão Mundial da Ferrari para um piloto inexperiente de rali, contra um certo Mr. Loeb, não será uma coisa fácil. Mas o Iceman não tem medo... e os outros, os pilotos reais de rali, o que pensam?

(continua...)

Fonte: Autosprint
Tradução do italiano: TaniaS
Tradução do inglês: Fran
Agradecimentos: TaniaS e Anelise